quinta-feira, 12 de agosto de 2010

PAINEL TEORIAS DO ENVELHECIMENTO



O envelhecimento é um processo caracterizado por alterações fisiológicas progressivas e contínuas do organismo. Esse é um tema muito relevante no cenário atual, devido à tendência ao envelhecimento populacional. Segundo a OMS, até 2025, o Brasil será o sexto país do mundo em número de idosos e a população mundial de idosos será de aproximadamente 1,2 bilhões.

TEORIAS DO ENVELHECIMENTO
Existem dois tipos de teorias do envelhecimento: as genéticas e as estocásticas.

Teorias genéticas
  • Teoria dos telômeros:
Os telômeros são seqüências de nucleotídeos que garantem a estabilidade genômica, protegendo as extremidades dos cromossomos da sua degeneração e da fusão com outros cromossomos. A cada replicação celular, segmentos de DNA são perdidos, o que provoca o encurtamento progressivo desses telômeros. Existe uma enzima chamada telomerase, que é responsável por recuperar tais segmentos de DNA perdidos. Ela adiciona seqüências de nucleotídeos específicas na extremidade dos cromossomos. Com o processo do envelhecimento, há uma redução na síntese de telomerase, acarretando um rápido encurtamento dos telômeros e caracterizando uma desaceleração da multiplicação celular. No entanto, existem duas células em que a telomerase está continuamente ativa: as células germinativas primordiais e as células cancerosas, que acabam então protegidas de tal encurtamento.

  • Teoria Neuro-endócrina
O sistema neuro-endócrino é controlado pela hipófise e pelo hipotálamo, e sob a influência de neurotransmissores e neuropeptídeos, é responsável pela regulação hormonal, interferindo no metabolismo, no sistema reprodutor e em diversos outros aspectos da fisiologia do organismo. Sua atividade é regulada por genes específicos, que alteram a sua expressão com o processo do envelhecimento, caracterizando algumas alterações hormonais comuns com o avanço da idade, dentre elas a redução da produção de GH, T3, T4 e estrógeno e o aumento do cortisol.

Teorias estocásticas

  • Teoria da Glicosilação
A glicosilação de proteínas leva à formação de ligações cruzadas graduais no colágeno, o que leva a um comprometimento estrutural e funcional dos tecidos. Com o avanço da idade, há uma redução da sensibilidade dos tecidos à insulina, caracterizando uma elevação nos níveis de glicose sanguínea, aumentando a chance de ocorrerem reações de glicosilação. É estabelecida uma ligação covalente entre um grupo aldeído livre do açúcar e um grupo amina livre da proteína, formando os AGEs (produtos finais da glicosilação avançada), que alteram a estrutura das fibras de colágeno. Além disso, a ação dos AGEs acarreta um aumento da pressão arterial devido à glicosilação de LDL, uma perda da acomodação ocular, a incapacidade funcional das células T de memória, redução da capacidade antioxidante do sangue.

  • Teoria do stress oxidativo
O conceito de radicais livres é muito importante para o entendimento dessa teoria. Radicais livres são substâncias instáveis quimicamente e altamente reativas, que apresentam um ou mais elétrons desemparelhados. O stress oxidativo é caracterizado por um aumento do número de compostos oxidantes se comparado às defesas antioxidantes do organismo. Tais defesas do organismo são garantidas pela atuação de 3 enzimas principais: superóxido dismutase, glutationa peroxidase e catalase, cada uma com seu respectivo mecanismo de reação. A superóxido dismutase é responsável por converter o superóxido em peróxido de hidrogênio, que é posteriormente convertido em compostos mais comuns e menos reativos, como água, por exemplo, pela ação da catalase e da glutationa peroxidase. Esse stress oxidativo causa diversos danos às estruturas celulares (alteração funcional e prejuízo das funções vitais) em tecidos e órgãos, como músculo, fígado, tecido adiposo, vascular e cerebral. A mitocôndria é a principal fonte de produção de ERO (espécies reativas de oxigênio), que não são radicais livres, mas são tão reativos quanto, podendo inclusive gerar radicais livres. Tais compostos contribuem para o aumento de lesões e mutações nesse compartimento celular, o que acaba interferindo no processo de produção de energia e, conseqüentemente nas funções vitais da célula. As ERO também podem acarretar mutações no DNA mitocondrial promovendo a síntese de proteínas disfuncionais pertencentes aos complexos da cadeia respiratória mitocondrial. As ERO são capazes de gerar danos nas moléculas de DNA, nas proteínas, além de destruírem as membranas, por meio de reações com os ácidos graxos insaturados, propagando uma série de reações de peroxidação lipídica, que vão acabar causando a lise da célula. Enfim, o envelhecimento pode ser relacionado a um acúmulo de lesões moleculares provocadas pelas reações de tais radicais livres com componentes celulares ao longo da vida, levando à perda de funcionalidade e ao desenvolvimento de doenças.

Bibliografia:

J. KNAPOWSKI, K. WIECZOROWSKA-TOBIS, J. WITKOWSKI - Pathophysiology of Ageing - Department of Pathophysiology, University of Medical Sciences, Poznan, Poland

Mota, M. Paula; Figueiredo, Pedro A. ; Duarte, José A. - Teorias biológicas do envelhecimento

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

A fórmula da juventude





Os publicitários Meredith (1,64 metro, 48 quilos) e Paul McGlothin (1,82 metro, 61 quilos), o casal-modelo da RC: no primeiro dia de 2007, almoço especial, com menos de 700 calorias


A fórmula da longevidade é uma das grandes buscas dos cientistas hoje em dia. Uma das alternativas para o retardamento do envelhecimento com uma boa qualidade de vida foi a restrição calórica, que é uma dieta em que os indivíduos ingerem o mínimo necessário para suprir a quantidade de nutrientes necessária, ativando assim mecanismos celulares que levam à auto-preservação, cujo objetivo principal consiste na extensão da sobrevivência do organismo até que a quantidade de alimento seja suficiente para a reprodução. Indivíduos que seguem essa rígida dieta acreditam que assim conseguirão viver até os 100 anos com saúde. Testes em animais comprovaram a eficiência da restrição calórica (RC). "Em todos os casos, o animal que come em abundância vive menos", confirma Emilio Jecke (especialista em envelhecimento e estudioso da RC). "Já os que comem menos apresentam menor incidência das doenças crônicas típicas da idade. Tendo menos doenças, eles vivem mais tempo", explica.

O dia magro de quem segue a RC:

  • Café da manhã: um copo de suco de laranja, um ovo poché, uma fatia de pão integral, uma xícara de café ou chá.
  • Almoço: meio copo de queijo cottage, meio copo de iogurte desnatado, uma colher de sopa de germe de trigo, uma maçã, um muffin (bolinho doce) de trigo integral.
  • Jantar: 90 gramas de peito de frango sem pele assado, uma batata assada, um copo de espinafre cozido, cinco tâmaras, um muffin de aveia, um copo de leite desnatado.
  • Consumo total: 1 472 calorias, 92 gramas de proteína, 24 gramas de gorduras, 234 gramas de carboidratos, 27 gramas de fibras e 310 miligramas de colesterol.

Porém, esta maneira de se atingir a longevidade é um processo um tanto quanto penoso para nós. Nos benefícios saudáveis da RC foi implicada a família de enzimas sirtuínas. Tais enzimas estão ligadas à maior expectativa de vida e ao envelhecimento mais saudável em humanos, estando envolvidas na atividade de outras enzimas que participam de processos metabólicos no corpo. Em 2006, um primeiro estudo mostrou que as sirtuínas controlam diretamente as enzimas AceCSs(ACETIL-COA Sintetase), que são enzimas metabólicas específicas encontradas em células de mamíferos. Esse controle direto acontece através de um processo de desacetilação, no qual uma forma de sirtuína ativa um tipo de ACeCS. Esse processo reversível transforma a ACeCSS em uma forma que permite um corpo a utilizar um pequeno ácido graxo chamado de acetado. Entretanto, ainda não é claro qual o papel que o metabolismo do acetato desempenha no sistema molecular da sirtuína, que parece conferir tantas vantagens. No entanto, a conexão com o diabetes e o envelhecimento realmente existe. Estudos realizados na década de 60 e inicio de 90 mostraram que diabéticos e indivíduos idosos exibem uma diminuição da capacidade para utilizar o acetato.

Um ativador das sirtuínas encontrado em vinhos tinto foi o RESVERATROL, que também é reconhecido como extensor da expectativa de vida. Foi verificado também que elevados níveis de sirtuína freiam a degeneração de células nervosas que já foram lesadas, e o aspecto relacionado ao metabolismo responsável pelo controle da secreção de insulina.

“Sirtuínas são bastante sedutoras por apresentar a habilidade de freiar o processo de envelhecimento” diz John Denu, autor principal do estudo. ”Elas também têm grande potencial para promover envelhecimento mais saudável por nos fornecer uma melhor compreensão, e possivelmente tratamentos sugestivos, de doenças metabólicas tais como a diabetes e desordem neurológicas como a Doença de Alzheimer e o Doença de Huntingon.”

Essas enzimas têm um importante papel nos estudos da bioquímica anti-envelhecimento, atraindo interesse de companhias de biotecnologia que procuram produzir drogas que atrasam o processo de envelhecimento e previne doenças relacionadas à idade. Tais drogas poderão atuar em enzimas metabólicas trazendo, assim, benefícios à saúde.

Bibliografia:

http://arquivoetc.blogspot.com/2007/01/dieta-de-baixa-caloria-para-prolongar.html

http://anti-envelhecimento.blogs.sapo.pt/57178.html
http://www.romulomene.med.br/resveravitis/portresveravitis3.htm
http://www.portaldoenvelhecimento.net/artigos/artigo1382.htm
http://www.elpais.com/articulo/reportajes/formula/juventud/elppgl/20090315elpdmgrep_1/Tes